Ilustração de um telemóvel entre o sol e as ondas do mar — cuidados com o telemóvel na praia

Telemóvel na praia: como não o perder este verão

Todos os anos é igual. A partir de meados de julho, o número de telemóveis molhados que entram na nossa loja na Boavista dispara. Areia, água salgada, calor a mais no carro — o verão é duro para os equipamentos.

Este artigo não é para lhe dizer para deixar o telemóvel em casa. É para lhe poupar uma reparação.

Água do mar é muito pior do que água da torneira

Se há uma coisa a reter deste artigo, é esta.

A água doce evapora e deixa relativamente poucos resíduos. A água salgada deixa sal — que é condutor de eletricidade e atrai humidade do ar. Dentro do equipamento, esse sal inicia um processo de corrosão que continua a progredir dias depois de tudo parecer seco.

É por isso que ouvimos tantas vezes a mesma história: “caiu na água do mar, sequei, funcionou uma semana e depois morreu”. Não morreu uma semana depois — esteve a morrer durante essa semana.

Se o seu telemóvel apanhou água do mar, mesmo que esteja a funcionar perfeitamente, uma limpeza da placa agora custa muito menos do que uma reparação de placa daqui a duas semanas.

A areia entra por onde não imagina

A areia da praia é fina o suficiente para entrar em todas as aberturas do equipamento: porta de carga, grelhas dos altifalantes, microfone, botões.

Os sintomas aparecem depois:

  • O som fica abafado — areia acumulada na grelha do altifalante
  • O telemóvel deixa de carregar bem — areia compactada no fundo da porta de carga, que impede o cabo de encaixar até ao fim
  • Os botões ficam duros ou deixam de responder
  • Riscos no ecrã — areia entre o vidro e a capa funciona como lixa

Uma nota importante: não tente tirar areia da porta de carga com um clipe ou uma agulha. Os contactos internos são finos e dobram com facilidade. Uma limpeza profissional custa pouco; um conector danificado custa bastante mais. Explicamos isto em detalhe na página sobre telemóveis que não carregam.

O calor: o inimigo silencioso

Aquele que ninguém associa a estragos, mas que é o que mais desgasta baterias.

O calor é o principal fator de degradação de uma bateria de iões de lítio. E no verão português há três situações que fazem estragos a sério:

  • Telemóvel dentro do carro ao sol. Um carro fechado ao sol de agosto chega facilmente aos 60 graus. Isso está muito acima do que qualquer telemóvel foi desenhado para suportar.
  • Telemóvel na toalha, exposto ao sol. Meia hora ao sol direto e o equipamento desliga-se sozinho por proteção térmica.
  • Carregar com o telemóvel já quente. Carregamento gera calor. Somado ao calor ambiente, acelera bastante o desgaste da célula.

Se este verão notar que a bateria passou a durar bem menos, provavelmente não é coincidência.

“Mas o meu telemóvel é resistente à água”

É, mas há três coisas que convém saber.

Primeiro: a certificação é obtida em água doce parada, em laboratório, com o equipamento novo. Nada disso se parece com uma onda de água salgada.

Segundo: as vedantes degradam-se com o tempo, com o calor e sobretudo depois de uma queda — mesmo que o telemóvel não tenha ficado com marcas. Um equipamento de três anos já não é o que era quando saiu da caixa.

Terceiro, e mais importante: praticamente nenhum fabricante cobre danos por líquidos na garantia. A resistência à água é argumento de venda, não é seguro.

Se cair à água: os primeiros minutos decidem tudo

  1. Desligue-o imediatamente. Não espere para ver se funciona.
  2. Não o ponha a carregar. É o erro que mais equipamentos destrói — corrente elétrica com humidade na placa provoca curto-circuitos.
  3. Não o abane nem carregue em botões. Só espalha o líquido para zonas ainda secas.
  4. Esqueça o arroz. Não retira líquido de dentro da placa, e enquanto o telemóvel está no saco a corrosão continua. Muitos equipamentos que nos chegam irrecuperáveis passaram três dias em arroz.
  5. Traga-o o mais depressa possível. Cada hora conta, e com água salgada conta a dobrar.

Escrevemos um guia completo sobre isto em telemóvel molhado.

Cinco hábitos que evitam quase tudo

  • Saco hermético. Um saco de fecho de plástico custa cênt4imos e resolve areia e salpicos. O telemóvel até funciona através do plástico.
  • Nunca no carro ao sol. Leve-o consigo ou deixe-o à sombra.
  • Não carregue o telemóvel quente. Deixe arrefecer primeiro.
  • Tire a capa ao fim do dia e sacuda a areia acumulada. É aí que ela se junta.
  • Faça cópia de segurança antes das férias. Leva cinco minutos e é o que faz a diferença entre perder um telemóvel e perder as fotografias das férias.

E se já aconteceu?

Passe pela loja. O diagnóstico é gratuito e dizemos-lhe com franqueza o que é realista esperar — antes de gastar dinheiro. Se não houver recuperação possível para o equipamento, muitas vezes ainda conseguimos salvar as fotografias, que é o que costuma importar mais.

Estamos na Rua de Nossa Senhora de Fátima 373, junto à Rotunda da Boavista. Telefone e WhatsApp: 932 481 456.

Bom verão — e que não precise de nós.

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